Novo tipo de córnea artificial é capaz de restaurar a visão, diz estudo sueco.

Cientistas suecos criaram um novo tipo de córnea artificial inserindo um fragmento de colágeno dentro do olho que persuade as próprias células da córnea natural a voltar a crescer e restaurar a visão.

O método funcionou na primeira fase de um estudo com 10 pacientes na Suécia, segundo disseram os pesquisadores. Embora pesquisas mais amplas sejam necessárias, esse é um passo para o desenvolvimento de uma alternativa ao transplante de córnea padrão, que não está disponível na maior parte do mundo por causa da falta de doações.

"Esta é a primeira vez que fomos capazes de regenerar a córnea de alguém", disse a Dra. May Griffith, cientista sênior do Ottawa Hospital Research Institute, no Canadá, e professora de medicina regenerativa na Universidade de Linköping, na Suécia.

Embora a política de doação de córneas seja adequada nos EUA, essa não é a situação vivida por cerca de 10 milhões de pessoas com cegueira corneal ao redor do mundo. Os transplantes também trazem risco de rejeição. Por isso, pesquisadores também vêm trabalhando para melhorar a produção de córneas artificiais feitas de plástico.

O novo trabalho, publicado na revista Science Translational Medicine, fala sobre córneas bioartificiais, uma tentativa de usar as mesmas substâncias naturais que compõem uma córnea real para induzir a cura.
"Eu caracterizo esse trabalho como um grande avanço na direção que precisamos tomar'', disse o Dr. Alan Carlson, chefe de transplante de córnea do Centro Oftalmológico da Universidade Duke, na Carolina do Norte (EUA).

A estrutura de córnea é constituída por um tecido chamado colágeno. Primeiro, os pesquisadores usaram colágeno humano cultivado em leveduras, feito pela empresa FibroGen Inc., de São Francisco, e o moldaram em uma base que imitava uma lente de contato.

Então, a Dra. May Griffith, em parceria com o cirurgião ocular Per Fagerholm, da Universidade de Linköping, estudou a córnea bioartificial em 10 pacientes com perda severa da visão devido a opacidade corneana. O tecido danificado de um olho foi retirado e a córnea Biosintética, implantada.

Logo, as células que cobrem a córnea saudável começaram a crescer sobre o  colágeno. A produção lacrimal foi normalizada e até mesmo os nervos da córnea voltaram a crescer, o que foi possível medir por meio da sensibilidade. Não houve rejeição, e os pacientes não precisaram usar medicamentos imunossupressores.

Dois anos mais tarde, seis dos pacientes tiveram uma melhora significativa na visão com óculos e dois deles não pioraram. Ao usarem lentes de contato que antes não podiam tolerar, os pacientes enxergaram tão bem quanto um grupo similar de pacientes que receberam o transplante de córnea padrão.

O Dr. Carlson adverte que as córneas bioartificiais não têm a mesma espessura das córneas dos transplantes - no estudo, a camada mais profunda da córnea original dos pacientes não foi substituída. Pessoas com problemas  de ceratocone, cicatrizes e queimaduras compõe a maioria dos casos de transplante.

Mas Carlson classificou essa tecnologia experimental como um passo na direção do objetivo, e a Dra. May disse que está planejando estudos mais amplos e vai tentar estender a terapia a uma gama maior de patologias que causem perda visual.