O uso de colírios para tratamento do glaucoma com finalidade estética, pode causar reações adversas.

Algumas mulheres em busca de cílios mais longos, mais escuros e espessos, estão usando um colírio para tratamento do glaucoma que ainda não foi aprovado para este fim pela FDA (agência americana reguladora de alimentos e medicamentos) e que pode causar uma série de efeitos colaterais.

Apresentada no último encontro da Academia Americana de Dermatologia, em fevereiro, a nova promessa é baseada em um efeito bastante relatado de um fármaco denominado bimatoprosta (substância sintética análoga à prostaglandina, que, em baixa concentração, é capaz de reduzir a pressão ocular) e é comercializada em forma de colírio para controlar a progressão do glaucoma. Como outros medicamentos, apresenta efeitos colaterais como fazer  os cílios crescerem.

Outras reações adversas foram relatadas, como, alergia, inflamação e escurecimento dos olhos. O efeito cosmético da substância (vendida em algumas farmácias de manipulação) e do próprio colírio está sendo divulgado boca a boca, tem até pessoas que não são da área médica recomendando bimatoprosta para fazer os  cílios crescerem, sem explicar dos possíveis efeitos adversos.

Custo-benefício
O glaucoma é uma doença do nervo ótico, normalmente associada à diminuição da capacidade de regular a pressão ocular. A redução da pressão ocular por meio de colírios como análogos da prostaglandina é um dos tratamentos clínicos estabelecidos para controlar sua evolução.

Além da bimatoprosta, há duas outras substâncias usadas, com efeitos similares: A  lanatoprosta e travoprosta. Das três, a bimatoprosta é a que tem um efeito mais marcante no crescimento dos cílios.

A dermatologista Isabella de Forneiro, membro da Academia Americana de Dermatologia, diz que, o uso intraocular para fins puramente estéticos é contraindicado, mas que, estudos para encontrar uma formulação de uso tópico seguro para a bimatoprosta são promissores. "Funciona realmente para o crescimento dos cílios”. Se conseguirem controlar os riscos será uma alternativa excelente, inclusive para pessoas que têm patologias diagnosticadas como alopecia areata (perda de pêlos do corpo).

A empresa farmacêutica Allergan, que detém a patente mundial da bimatoprosta e desenvolveu o cosmético Latisse com a substância para o crescimento dos cílios, disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que o produto cosmético está em fase de análise e aprovação pela FDA. A previsão de chegada ao mercado brasileiro é entre 2011 e 2012.

A empresa reafirma que, antes das autorizações oficiais, usar o colírio medicamentoso para fins estéticos não é uma prática adequada, e que nenhum medicamento deve ser utilizado sem a aprovação dos órgãos regulatórios locais.